segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Aprendendo com a Palmeira

A Palmeira da nossa sala de jantar depois de limpa.
Vamos ver se ela vai resistir. Eu espero que sim.
Acima, a esquerda, o quadro que deu origem a capa do nosso convite de casamento que em breve conto como aconteceu.
Eu nunca fui dada a cuidar de plantas. Sempre detestei quando minha mãe pedia para que eu as regasse ou quando tinha que ajudar a limpar vasos e outros cuidados.  Sempre quis pegar todos os vasos dela e esconder até que se esquecesse e eu pudesse sutilmente jogá-los fora... Se eu gosto de plantas? Sim, claro! Mas não tinha a mínima paciência para cuidar! Eu quero vê-las bonitas e floridas, quando está meio caidinha, meio morta, meio assim assim e não pensava  duas vezes e já ía jogando fora...
Parecia que elas eram tao desnecessárias quanto a copos descartáveis: fez sua funcao e agora tchau...
Mas mornado aqui na Alemanha as coisas começaram a mudar. Primeiro que as pessoas aqui gastam mais dinheiro com plantas do que com comida, sendo assim nas casa e apartamentos tem sempre muita planta! Mas por quê? Por que meu Deus esse povo tem tanta planta???
Bem, tudo começa com a decoracao. Um pouco de verde dentro de casa num país onde o inverno é longo e os bonitos jardins desaparecem dando lugar a árvores nuas e visual cinzento é sempre uma boa pedida.  As pessoas tem essa necessidade do verde da natureza. Depois, afinal não só de inverno vive a linda Alemanha com seus jardins lotados de flores, de cores e aromas, também tem o verão e a PRIMAVERA! Ah a Primavera na Alemanha é um show de plantas lindas por todos os lados!
E as pessoas não só tem suas plantinhas no interior dos apartamentos como também nas sacadas, nas janelas, nas portas, enfim por todo lado. Então vem o seguinte estágio das plantinhas cultivadas pelas pessoas aqui: A SOLIDÃO!  O inverno longo, o verão que todo mundo viaja, a primavera que todo mundo sai andar na rua e o outono cheio de cor, isso tudo não muda a condicao das pessoas em serem um tanto quanto mais solitárias que em países mais tropicais e principalmente com certa latinidade...
Ter plantas em casa é uma terapia e se faz necessário muitas vezes e hoje eu aprendi com a PALMEIRA que meu marido tem desde que passou a viver sozinho depois da separacao. Uma palmeira que a mãe dele tinha na grande casa que morava antes. O marido dela veio a falecer e ela teve que se mudar da super casa e muitas coisas foram desfeitas e algumas plantas tiveram que tomar outro rumo e meu marido ficou com essa palmeira. Uma palmeira bem bonita mas que após o nosso retorno de férias ao Brasil, onde ficamos por quase um mês, ela estava completamente acabada. Genteeeeee em outros tempos eu não pensaria duas vezes e já estaria mandando a tropicalhente planta para o saco preto,  o de lixo de plantas aqui na Alemanha.
Mas para a minha própria surpresa hoje eu cuidei dela, assim como cuido de outras e tenho uma verdadeira plantacao de bromélias, ainda pequenas pois o cultivo começou há um ano atrás. Eu senti que a Palmeira me pedia: Cuide-me! Faca esse favor a você mesma.
Então eu fiz. Limpei partes mortas, retirei folhas secas, limpei ao redor das  hastes de crescimento, preparei  “a vitamina” para plantas de interior com folhagem, organizei enfim ela ficou com uma cara mais contentinha...
Enfim, hoje a palmeira me ensinou que independente do lugar que você estiver, quando estiver se sentindo sufocado, deprimido, pra baixo, carente, doente você precisa de um cuidado. Você precisa respirar, tirar os excessos, limpas as arestas, mover o que está parado, dar espaço, desafogar, aparar, podar, se reabastecer e então recomeçar... Você precisa de luz, mas ainda que seja a artificial aprenda a usufruir dela, você precisa de calor use ainda que seja o dos aquecedores, você precisa de ar, abra as janelas nem que seja um pouquinho, se agite, se mova e você vai se sentir melhor, mais bonita (o), revigorado, pronto pra outra.
A Palmeira me ensinou que nós sempre precisaremos de alguém, ninguém é auto suficiente, por mais auto suficiente que pareca e as vezes a AJUDA vem de alguém que não faz parte do seu mundo, do seu círculo, do seu convívio, que tenha seus gostos. A ajuda pode vir de alguém que também esteja precisando de contato, de cuidado, de carinho.  
Vou ser mais gentil e cuidadosa com as plantinhas por aqui. Sei que elas não tenham uma consciência, mas com certeza elas tem tanto sentimento quanto eu, pois eu não pude deixar de perceber o sorriso dela de gratidão para mim.

Já pensou se fosse uma pessoa?

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